Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
O fenômeno do cara legal e a balela da
friendzone - Mari (Lugar de Mulher)
[SPOILEIR!] Sabe o que o personagem Joe Caputo, de Orange is the New Black, e os caras que acreditam em friendzone tem em comum? Eles são caras legais e isso é terrível.
No episódio 11 da terceira temporada de OITNB conhecemos melhor Joe Caputo, o atual diretor da prisão. Nele, vamos criando uma teia de histórias que nos ajudam a desvendar o personagem. Primeiro, ele surge como um jovem com um futuro promissor na luta greco-romana se lesiona em um evento extra competitivo. Na verdade, ele se oferece para lutar contra jovens com síndrome de down e é enaltecido pelo treinador pois “não precisava”, mas é tão bondoso que quis dar essa alegria aos jovens especiais. Um pouco adiante no tempo, ele se casa com sua namorada, que está grávida de outro e perde a oportunidade de fazer sucesso com sua banda. Em um debate sobre o tema ele não demora em tocar na cara da mulher que ela lhe deve isso, que ele se sacrificou por ela (mas ela deixa claro que nunca pediu nada).
O NY Times alerta:
Joe Caputo pode não ser um cara legal, mas ele persegue desesperadamente o sentimento que tem quando é percebido como bondoso.
É essencial notar que esse empenho em ser percebido como alguém nobre vai, ao longo dos anos, fazendo com que Caputo perca todas as reais oportunidades de sucesso da sua vida e termine sendo o personagem solitário e decepcionado que conhecemos. Mas o martírio está longe de ser abnegado. O Salon explica:
A falha central de Caputo é que ele se vê como um “cara legal” quando, na verdade, tudo que ele faz é esperando que o mundo lhe dê algo em troca – a medalha de ouro do heroísmo, a faixa azul por presença (…) O problema não é só que ele acredita que deveria ser um herói: o problema é que ele acredita que merece algo especial por ser assim heróico.
Tudo isso pode parecer besteira, mas o discurso que costura essa ideia de que o homem merece um troféu por ser legal (coisa que deveria ser o mínimo, convenhamos) é o mesmo que costura campanhas como aquela dos esmaltes e ideias terrivelmente babacas e perigosas como friendzone.
E tendemos a levar friendzone como piada, mas ela está profundamente inserida na cultura do estupro, porque coloca a mulher como um commodity, um objeto, que deve ser recebido em troca de gentileza. E quando isso não acontece, ela está manipulando o homem ou ela é burra demais para perceber quem são os caras legais.
Mas, ei, nós não somos idiotas, e caras que acreditam nisso não são nada legais.
Porque friendzone nada mais é que um homem se sentindo lesado por não receber o que quer. E esse discurso carregado de ódio é uma maneira de enfraquecer o direito de escolha feminino.
Um homem que internalizou que um comportamento gentil ou bondoso é um escambo que deve resultar em algo que lhe favoreça é o oposto de um cara legal. A Amanda Marcotte ressalta, também, o que une conceitos como friendzone de coisas imbecis como PUA:
É a teoria de que as mulheres não curtem tanto sexo quanto curtem atrair atenção. Então caras que dão atenção para elas de livre e espontânea vontade são vistos como fontes de atenção infinita e mulheres só dão sexo para homens que as fazem trabalhar por isso. A noção de que friend zone é permanente deriva da ideia de que ela te vê como um babaca que dá atenção sem que ela precise se esforçar. A possibilidade que uma mulher, de fato, goste da tua companhia e ache que tu também gosta da dela é deixada de lado. A possibilidade de ela ter te rejeitado polidamente e que tu só fique orbitando em torno dela, abusando da boa vontade e da educação que a faz não te mandar sumir é totalmente ignorada. Se tu mergulhar nessa mentalidade por tempo suficiente, a ideia de pickup artists sendo uns trouxas e tentando manipular as mulheres para fazerem sexo com eles parece terrivelmente boa.
No final, o cara legal só se revela pela frustração. Ao se frustrar diante de não ter sido reconhecido como a pessoa maravilhosa que acredita ser, ele se torna quem realmente é. Mas, eis uma novidade, caras: o mundo não te deve nada, as mulheres não te devem nada.
Esse comportamento pode parecer ter muitas semelhanças com o de uma criança mimada e, talvez, seja o caso do personagem Caputo. Mas certamente não é o caso da friendzone, porque a misoginia sente o direito de se impor. E, como bons babacas, em nenhum momento ocorre para estes homens tentar ver as coisas pelo que são. Se fizessem isso seriam capazes de notar que o mundo não gira em torno deles e as coisas costumam ser bem mais simples que parecem.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Em prol do feminismo nos pequenos
detalhes - Debora Oliveira
Ser feminista quando aquela amiga difamou a outra pelo tamanho da sua saia, saber se posicionar ao escutar um comentário machista. Ser feminista é ser livre para optar como quer se comportar e quem quer ser independente do julgamento alheio e acima de tudo saber respeitar outra mulher. A pergunta é: Você é feminista quando ninguém mais está vendo?
Feminismo: doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade.
A própria descrição já nos diz muito, mas ainda acredito que o feminismo deve estar presente também nos pequenos detalhes. Ser feminista abrange desde pequenas atitudes e comportamentos do cotidiano até a luta pelo direito de viver das mulheres, no sentido mais literal desse termo. Parece tão claro, tão óbvio que os direitos devem ser iguais, principalmente porque somos seres humanos e como tais, deveríamos ser ativos desses direitos independente de credo, raça, sexo, cor, nacionalidade ou convicções; mas como muitas outras questões, raramente observamos isso ser colocado em prática.
Sobre o feminismo nos pequenos detalhes: ainda anseio por um mundo no qual nós mulheres possamos ter o direito de gostar, querer e fazer coisas que em algum momento a sociedade definiu como “coisas de homem”. Quero que possamos usar cabelo curto, cabeça raspada, gostar de rock, não saber andar de salto, não gostar de rosa, não ser delicada, transar com quem quisermos e não querer transar com você. Ou se quisermos fazer tudo isso ao contrário, não nos julgarem como sexo frágil!
Por um mundo aonde dividir as tarefas domésticas seja normal e que não tenhamos que dar um troféu toda vez que um homem é educado, carinhoso e gentil com uma mulher ou criar uma linha completa de esmaltes usando os nomes das cores para dar crédito ao bom comportamento deles. Por um mundo aonde nunca, nunca aceitemos o fato de um homem ser machista ou preconceituoso e não achar normal em uma festa, as mulheres terem que sempre ficar na cozinha ou cuidando das crianças enquanto os homens se divertem perto do barril de chopp.
Que possamos acreditar que mulheres não competem entre si, mas sim apoiam umas as outras. Que possamos ver a mulher ao lado não como uma rival, mas sim como uma companheira, uma amiga. Que não as julguemos para não sermos julgadas. Que possamos nos tornar aliadas. Isso tudo são detalhes perto da causa, mas acredito que o feminismo funciona como um bom hábito e para obtê-lo devemos observar nossas pequenas atitudes diariamente.
Nem toda mulher quer ter filhos, nem toda mulher quer casar, nem todas amam os homens, sabem cozinhar ou querem ser magras. Parem de ditar como devemos nos vestir ou o quanto nos consideram promíscuas de acordo com o comprimento da nossa saia. Parem de escrever livros que tentam ditar regras do que devemos ou não fazer para conquistar um homem. Enfim, simplesmente parem.
Obviamente a causa principal do feminismo vai muito além, lutamos pela vida de muitas mulheres que ainda são abusadas, mutiladas e assassinadas, lutamos pelo direito do aborto, contra a violência sexual e por direitos iguais no trabalho. A causa é gigantesca e muito mais do que linda e poética, ela é extremamente necessária!
terça-feira, 2 de junho de 2015
Discurso completo de Emma Watson sobre Igualdade de Gêneros
“Hoje estamos aqui lançando a campanha HeForShe. Eu estou falando com vocês porque precisamos de ajuda. Queremos acabar com a desigualdade de gêneros – e pra fazer isso, todo mundo precisa estar envolvido.
Essa é a primeira campanha desse tipo na ONU. Precisamos mobilizar tantos homens e garotos quanto possível para a mudança. Não queremos só falar sobre isso. Queremos tentar e ter certeza que é tangível.
Eu fui apontada como embaixadora da boa vontade para a ONU Mulheres há seis meses e quanto mais eu falava sobre feminismo, mais eu me dava conta que lutar pelos direitos das mulheres muitas vezes virou sinônimo de odiar os homens. Se tem uma coisa que eu tenho certeza é que isso tem que parar.
Para registro, feminismo, por definição é a crença de que homens e mulheres devem ter oportunidades e direitos iguais. É a teoria da igualdade política, econômica e social entre os sexos.
Eu comecei a questionar as suposições baseadas em gênero quando eu tinha oito anos, fui chamada de mandona porque eu queria dirigir uma peça para nossos pais – mas os meninos não foram. Aos quatorze anos, sendo sexualizada por membros da imprensa. Com quinze anos, minhas amigas começaram a sair dos times esportivos porque não queriam parecer masculinas. Aos 18, meus amigos homens não podiam expressar seus sentimentos.
Eu decidi que eu era uma feminista. Isso não parecia complicado pra mim. Mas minhas pesquisas recentes mostraram que feminismo virou uma palavra não muito popular. Aparentemente, eu estou entre as mulheres que são vistas como muito fortes, muito agressivas, anti homens, não atraentes.
Por que essa palavra se tornou tão impopular?
Eu sou da Inglaterra e eu acho que é direito que me paguem o mesmo tanto que meus colegas de trabalho do sexo masculino. Eu acho que é direito tomar decisões sobre meu próprio corpo. Eu acho que é direito que mulheres estejam envolvidas e me representando em políticas e decisões tomadas no meu país. Eu acho que é direito que socialmente, eu receba o mesmo respeito que homens. Mas infelizmente, eu posso dizer que não existe nenhum país no mundo em que todas as mulheres possam esperar ver esses direitos.
Nenhum país do mundo pode dizer ainda que alcançou igualdade de gêneros. Esses direitos são considerados direitos humanos, mas eu sou uma das sortudas. Minha vida é de puro privilégio porque meus pais não me amaram menos porque eu nasci filha. Minha escola não me limitou porque eu era menina. Meus mentores não acharam que eu poderia ir menos longe porque posso ter filhos algum dia. Essas influências são as embaixadoras na igualdade de gêneros que me fizeram quem eu sou hoje. Eles podem não saber, mas são feministas necessários no mundo de hoje. Precisamos de mais desses. Não é a palavra que é importante. É a ideia e ambição por trás dela, porque nem todas as mulheres receberam os mesmos direitos que eu. De fato, estatisticamente, muito poucas receberam.
Em 1997, Hillary Clinton fez um famoso discurso em Pequim sobre direitos das mulheres. Infelizmente, muito do que ela queria mudar ainda é verdade hoje. Mas o que me impressionou foi que menos de 30% da audiência era masculina. Como nós podemos efetivar a mudança no mundo quando apenas metade dele é convidada a participar da conversa?
Homens, eu gostaria de usar essa oportunidade para apresentar o convite formal. Igualdade de gêneros é seu problema também.
Até hoje eu vejo o papel do meu pai como pai ser menos válido na sociedade. Eu vi jovens homens sofrendo de doenças, incapazes de pedirem ajuda por medo de que isso os torne menos homens – de fato, no Reino Unido, suicídio é a maior causa de morte entre homens de 20-49 anos, superando acidentes de carro, câncer e doenças de coração. Eu vi homens frágeis e inseguros sobre o que constitui o sucesso masculino. Homens também não tem o benefício da igualdade.
Nós não queremos falar sobre homens sendo aprisionados pelos esteriótipos de gênero mas eles estão. Quando eles estiverem livres, as coisas vão mudar para as mulheres como consequência natural. Se homens não tem que ser agressivos, mulheres não serão obrigadas a serem submissas. Se homens não tem a necessidade de controlar, mulheres não precisarão ser controladas. Tanto homens quando mulheres deveriam ser livres para serem sensíveis. Tanto homens e mulheres deveriam ser livres para serem fortes.
É hora de começar a ver gênero como um espectro ao invés de dois conjuntos de ideais opostos. Deveríamos parar de nos definir pelo que não somos e começarmos a nós definir pelo que somos. Todos podemos ser mais livres e é isso que HeForShe é sobre. É sobre liberdade. Eu quero que os homens comecem essa luta para que suas filhas, irmãs e esposas possam se livrar do preconceito, mas também para que seus filhos tenham permissão para serem vulneráveis e humanos e fazendo isso, sejam uma versão mais completa de si mesmos.
Você pode pensar: Quem é essa menina de Harry Potter? O que ela está fazendo na ONU? É uma boa questão e acreditem em mim, eu tenho me perguntado a mesma coisa. Não sei se sou qualificada para estar aqui. Tudo que eu sei é que eu me importo com esse problema e eu quero melhorar isso. E tendo visto o que eu vi e sendo apresentada com a oportunidade, eu acho que é minha responsabilidade dizer algo. Edmund Burke disse: “Tudo que é preciso para que as forças do mal triunfem é que bons homens e mulheres não façam nada.”
Cheia de nervos para esse discurso e em um momento de dúvida eu disse pra mim mesma: se não eu, quem? Se não agora, quando? Se você tem as mesmas dúvidas quando apresentado uma oportunidade, eu espero que essas palavras possam ajudar.
Porque a realidade é que se a gente não fizer nada, vai demorar 75 anos, ou até eu ter quase 100 anos antes que mulheres possam esperar receber o mesmo tanto que os homens no trabalho. 15.5 milhões de garotas vão se casar nos próximos 16 anos como crianças. E nas taxas atuais não vai ser até 2086 até que todas as crianças da África rural possam receber educação fundamental.
Se você acredita em igualdade, você pode ser um desses feministas que não sabem sobre os quais eu falei mais cedo. E por isso, eu te aplaudo.
Estamos lutando, mas a boa notícia é que temos a plataforma. É chamada HeForShe. Eu convido você a ir em frente, ser visto e se perguntar: se não eu, quem? Se não agora, quando?
Obrigada.”
sábado, 30 de maio de 2015
Xingamento - Gregório Duvivier
Puta, piranha, vadia, vagabunda, quenga, rameira, devassa, rapariga, biscate, piriguete. Quando um homem odeia uma mulher — e quando uma mulher odeia uma mulher também— a culpa é sempre da devassidão sexual. Outro dia um amigo, revoltado com o aumento do IOF, proferiu: "Brother, essa Dilma é uma piranha". Não sou fã da Dilma. Mas fiquei mal. Brother: a Dilma não é uma piranha. A Dilma tem muitos defeitos. Mas certamente nenhum deles diz respeito à sua intensa vida sexual. Não que eu saiba. E mesmo que ela fosse uma piranha. Isso é defeito? O fato dela ter dado pra meio Planalto faria dela uma pessoa pior?
Recentemente anunciaram que uma mulher seria presidenta de uma estatal. Todos os comentários da notícia versavam sobre sua aparência: "Essa eu comeria fácil" ou "Até que não é tão baranga assim". O primeiro comentário sobre uma mulher é sempre esse: feia. Bonita. Gorda. Gostosa. Comeria. Não comeria. Só que ela não perguntou, em momento nenhum, se alguém queria comê-la. Não era isso que estava em julgamento (ou melhor: não deveria ser). Tinham que ensinar na escola: 1. Nem toda mulher está oferecendo o corpo. 2. As que estão não são pessoas piores.
Baranga, tilanga, canhão, dragão, tribufu, jaburu, mocreia. Nenhum dos xingamentos estéticos tem equivalente masculino. Nunca vi ninguém dizendo que o Lula é feio: "O Lula foi um bom presidente, mas no segundo mandato embarangou." Percebam que ele é gordinho, tem nariz adunco e orelhas de abano. Se fosse mulher, tava frito. Mas é homem. Não nasceu pra ser atraente. Nasceu pra mandar. Ele é xingado. Mas de outras coisas.
Filho da puta, filho de rapariga, corno, chifrudo. Até quando a gente quer bater no homem, é na mulher que a gente bate. A maior ofensa que se pode fazer a um homem não é um ataque a ele, mas à mãe — filho da puta- ou à esposa — corno. Nos dois casos, ele sai ileso: calhou de ser filho ou de casar com uma mulher da vida. Hijo de puta, son of a bitch, fils de pute, hurensohn. O xingamento mais universal do mundo é o que diz: sua mãe vende o corpo. 1. Não vende. 2. E se vendesse? E a sua, que vende esquemas de pirâmide? Isso não é pior?
Pobres putas. Pobres filhos da puta. Eles não têm nada a ver com isso. Deixem as putas e suas famílias em paz. Deixem as barangas e os viados em paz. Vamos lembrar (ou pelo menos tentar lembrar) de bater na pessoa em questão: crápula, escroto, mau-caráter, babaca, ladrão, pilantra, machista, corrupto, fascista. A mulher nem sempre tem culpa.
Assinar:
Postagens (Atom)




